domingo, 14 de fevereiro de 2016

Carnaval em Mambaí -GO

Aproveitamos o feriado de carnaval para conhecer um destino ainda pouco explorado do cerrado goiano, Mambaí-GO. O pequeno município fica na região nordeste do estado, acessado pela BR-020 saindo de Brasília-DF. As condições da estrada estão boas até Alvorada do Norte, nesse último trecho existem alguns buracos no asfalto que exigem maior atenção para evitar incidentes.

Durante o mês de fevereiro o clima é quente e úmido (ainda é época de chuvas). Por sorte, desfrutamos de 4 dias de céu claro e sol forte, muito forte. Devido às chuvas, as águas não estavam tão límpidas, com exceção do poço "sempre" azul.

A cidade de Mambaí tem uma infraestrutura limitada, mas proporcional aos poucos turistas que recebe. São apenas alguns hotéis, pousadas, restaurantes e nenhum outro atrativo além das belezas naturais. O legal é que você vai acabar conhecendo várias pessoas, pois se encontrará com elas a todo momento, seja em algum passeio ou na hora do almoço.

Ficamos na pousada Maredú, de propriedade da Valdirene, um amor de pessoa. A pousada é extremamente simples, pouco confortável, com ar-condicionado, uma wi-fi modesta, e um café da manha idem. A sensação que tivemos em todos os locais é que Mambaí ainda não está totalmente pronta para o turismo, falta infraestrutura, capacitação e melhores produtos turísticos.

Quase todos atrativos da cidade devem ser visitados com guias credenciados junto às duas únicas agências de turismo da cidade, a Mambaí Adventure e a Cerrado Aventura, que vendem os passeios a um preço médio de R$ 30,00. A exceção fica por conta da Cachoeira Paraíso do Cerrado, no município de Damianópolis, que não exige a presença de guias e custa R$ 10,00 a visita, pagos diretamente aos donos da propriedade.

No primeiro dia, após deixar as bagagens na pousada, fomos direto para lá. Bastou pegar a saída para Damianópolis, manter à direita na entrada da cidade, seguir até o posto de combustível, virar à direita e após a primeira à esquerda e pegar a estrada de chão por aproximadamente 16 km. Placas sinalizam o caminho na estrada de chão.

A Paraíso do Cerrado fica dentro de uma chácara particular. A proprietária Valdete é uma senhora simples e bastante e receptiva. A trilha até a cachoeira é fácil. Com apenas 800 metros, só não é um "passeio no parque" por conta do desnível que exige um mínimo de preparo na volta.

Engenho de Cana - Paraíso do Cerrado (funcionando!)

A primeira vista da cachoeira impressiona. Juro que não esperava! Do alto, avista-se um grande poço de águas esverdeadas e, descendo pelas escadas, ao final da trilha, podemos ver toda a beleza da Paraíso do Cerrado, uma cachoeira imponente. Deve ter uns 15 metros, com um grande volume de água. O banho também é uma delícia, mas tenha cuidado, existem muitas pedras em seu fundo.

Paraíso do Cerrado


Para o segundo dia, entramos em contato com a Mambaí Adventures, que já tinha um pacote fechado: caverna e cachoeira do funil(r$30) com opção de rapel(r$40) pela manha, e caverna Lapa do Penhasco(r$30) com opção de tirolesa à tarde(r$30). Sim, aparentemente os passeios são caros, não há nenhuma dificuldade, risco, ou exigência de profissionais super capacitados que justifiquem os preços. Fora isso, o guia que nos acompanhou era fraquíssimo, não fez o mínimo. Entretanto, para compensar, o preço dos opcionais é bastante convidativo.

O passeio para a Cachoeira do Funil começa com uma trilha entre vários guatambús, também conhecidos como pau pereira ou tambú, comumente utilizados para cabos de enxadas e berimbaus. Algumas formações rochosas muito interessantes também compõem o caminho, formando um "labirinto". Também podem ser vistas no percurso uma mina d'água bem característica e a entrada de pequenas cavernas.

Com meia hora de caminhada, chegamos à entrada de uma. Um rio corre dentro dela e simplesmente desaparece. Colocamos nossas mochilas nas cabeças e o atravessamos com a água na cintura. São poucos metros de travessia e logo se chega à outra ponta da caverna. Não sei para onde o rio vai, mas ele vem de uma grande cachoeira que forma um grande poço. É um cenário muito interessante, não tinha visto nada parecido até então. No local ainda é oferecido o rapel da cachoeira do funil.


Entrada da caverna do Funil
Rapel na cachoeira do Funil
   


A agência tem parcerias com locais para servir o almoço. Não é obrigatório, mas, como em Mambaí não existem tantas opções, fomos com o guia almoçar no rancho da Eide. O local mal tem banheiro, mas a comida era espetacular, feita no fogão a lenha, com ingredientes da região, comida da roça de verdade. 

À tarde, fomos conhecer a caverna Lapa do Penhasco. O passeio começa com uma descida íngreme ao cânion formado pelo rio vermelho. A caverna se encontra na base do vale e para acessá-la é necessário entrar nas águas geladas do córrego Das Dores, que aflui de dentro da caverna e se encontra com o rio Vermelho. Após atravessar o córrego e passar por várias pedras (esse trecho requer cuidado redobrado) estamos diante de um gigantesco salão com uma praia ao lado direito e o Das Dores ao lado esquerdo. Caminhamos por uns 300 metros salão a dentro, passando por várias stalactites, stalagmites, colunas e outras formações menos características, ao menos para mim.

A segunda parte do passeio é uma tirolesa de aproximadamente 300 metros de comprimento a 100 metros de altura, que atravessa o Cânion. Vale muito a pena! A adrenalina vai lá em cima e a vista é maravilhosa. Com certeza, foi um dos pontos altos da viagem.


É divertida ou não é essa tirolesa?!

No terceiro dia de viagem, fizemos a trilha para o Poço Azul, que também começa no vale do Rio vermelho. A ideia é descer o vale, atravessar o rio e seguir por suas margens por aproximadamente 4km. Sem sombras de dúvidas é o melhor roteiro de Mambaí e você não pode de forma alguma deixar de fazer esse passeio. A trilha, pelo pouco uso, é cheia de obstáculos, nada intransponível, mas que aumenta, e muito, a adrenalina. Algumas árvores tombadas pelo caminho, a descida do vale, a travessia do rio Vermelho, os pássaros, a vegetação exuberante e a beleza dos poços azuis tornam esse um passeio inesquecível e imperdível.


No caminho para o poço azul

Um dos três poços azuis, uma recompensa gratificante.



Mambaí é um destino turístico que ainda tem muito o que melhorar, desde os serviços de hospedagem até os pacotes oferecidos pelas agências. Independentemente disso, a região tem um grande potencial e a exploração do turismo está apenas começando. Seria querer demais exigir maiores investimentos em um destino ainda pouco conhecido e frequentado.

As taxas "elevadas" cobradas pelas agências acabam se justificando pelo pioneirismo, garra e determinação. Seria interessante passeios com guias mais capacitados que explorassem toda a riqueza da geologia, flora e fauna da região.

Apesar dos problemas, recomendo a todos que gostam de natureza e aventura uma visita a Mambaí. Suas belezas compensam demais.


Alguns contatos que podem ser úteis.

Cerrado Aventura (tocada pelo Emílio, que mapeou várias cavernas da região)
Emílio: (62) 96876607
https://www.facebook.com/cerradoaventuramambai/

Mambaí Adventure (tocada pelo Bruno, sempre muito solícito)
Bruno: (62) 99785979
Cindy: (62) 98260041 
http://www.mambaiadventure.com.br/

Cachoeira Paraíso do Cerrado (cachoeira mais bonita de Mambaí)
Ismailton e Valdete: (62) 99655279

Almoço caipira no Rancho da Eide (é só ligar que ela dá um jeito)
Edlene: (62) 99378252

Pousada Maredú (da Valdirene, simples, mas quebra o galho)
Valdirene: (62) 96437706 - (62) 99144488
  

Um comentário:

Jose Alencar Nascimento Junior disse...

Parabéns pelo artigo esclarecedor.

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